10 janeiro 2007

Carta de Sergio Rosa enviada a Elio Gaspari


Segue texto da carta assinada pelo Sergio Rosa (Diretor do Serpro) e encaminhada ao Elio Gaspari, em resposta a matéria publicada dia 07/jan/2007, conforme alguns "posts" abaixo.
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Caro Élio Gáspari

Tenho participado do grupo de trabalho do governo para formulação e acompanhamento do programa "Um computador por aluno" que espero, assim como o Computador para Todos, venha a se constituir num sucesso.

Para elaboração do programa Computador para Todos, um grupo de trabalho semelhante promoveu muita discussão com a indústria de hardware, empresas de software e serviços, empresas de telecomunicações, rede varejista e bancos.

O processo da discussão franca levou até à mudança do nome do programa que era "Computador conectado". Foram as críticas e o desejo de acertar de todos que permitiu a redução significativa do mercado cinza e do preço do computador de R$ 1800, ilegal, para R$ 1200, legalizado, com software livre gerando empregos e capacitação tecnológica.

A discussão sobre o computador por aluno está ocorrendo e a semente foi realmente a idéia do professor Negroponte e tem o mérito provocar o debate no campo da pedagogia, da informática e das telecomunicações.

Cabe ao Brasil, na minha opinião, disputar também a vanguarda do uso da tecnologia da informação e comunicação com qualquer país do mundo pois, assim como os Estados Unidos estão testando a comunicação sem fio, no Brasil podemos ver estas experiências em cidades como Piraí, no Rio de Janeiro e Santa Cecília do Pavão no Paraná.

Concordo com o respeitado jornalista e escritor Élio Gáspari sobre os sérios problemas de infraestrutura de comunicações para atendimento a todas as escolas, professores e alunos no acesso à internete mas enquanto se pode avançar com a pesquisa tecnológica aplicada, este é também o tempo para que os problemas de falta de energia em 35 mil das 200 mil escolas seja resolvido.

Este pode ser o tempo também para os educadores aprofundarem a discussão sobre o uso destas tecnologias como apoio ao ensino.

Através da internet, mesmo sem acesso por todas as escolas, o governo federal, através do MEC em parceria com as Secretarias de Educação estaduais e municipais já cadastrou, em 2005 e 2006, praticamente todos os alunos matriculados na rede - e entraram os dados dos município mais ricos
e mais pobres.

Em dezembro passado o governo federal promoveu reunião com a indústria de hardware implantada no país, apresentou o que se pensa do equipamento e na ocasião já foram apresentados dois equipamentos de diferentes fabricantes.

Um projeto deste porte sendo vitorioso, pode trazer consigo um mercado para a indústria nacional de hardware, software e até se pensar na microeletrônica.

Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão disse nosso contemporâneo Glauber e podemos pensar em homenageá-lo com uma idéia na cabeça e uma internete na mão para reduzir as desigualdades.

Discutir com todos atores do processo não é coisa de comissariado – é democrático.

Sergio Rosa
Analista de Sistemas

Um comentário:

Eneida Azevedo disse...

Além de todas as questões relevantes colocadas na carta de Sérgio Rosa, gostaria de lembrar, em idéia já contida em seu texto, o direito de estudar, do aluno trabalhador, que nem sempre pode cursar o ensino regular devido à dificuldade de conciliar horários. A Escola equipada com computadores ligados à internete, poderá oportunizar a esse aluno,inserido naquela comunidade escolar, a possibilidade de acessar um curso a distância- EAD - que, de antemão, prioriza utilizar o próprio tempo.